domingo, 6 de março de 2011

DE CASA NOVA

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cynthia 13

  

Quando chegou ao portão, antes mesmo de estacionar o carro, já se avistava aquela figurinha parada a  esperar ansiosamente. Ao certificar-se de que era ela, Marcelinho veio correndo em sua direção; deram um abraço daqueles que somente os que se amam conseguem dar. Ficaram ali abraçados por alguns instantes, mas para ela o tempo parecia ter parado. Sentia sua alma cicatrizando como num passe de mágica, enquanto sentia as batidas daquele coraçãozinho contra o seu peito. Depois de muitos beijos e olhares, a mãozinha estendida lhe ofereceu um chocolate. Um simples e singelo chocolate, mas para ela significava mais do que qualquer pedra preciosa. Ficou emocionada com a atitude tão acolhedora e amorosa, mesmo após tantos meses sem se verem. Sorriu por dentro, satisfeita por se saber tão amada, por se sentir tão querida. Há muito não recebia tanto carinho verdadeiro de alguém.


Passaram um fim de semana como nunca antes tiveram. Apenas eles dois, sem estranhos ou terceiros para quebrar aquela harmonia e o clima de saudades e reencontro. Pularam e brincaram na piscina como duas crianças da mesma idade, deslumbradas com as brincadeiras e jogos aquáticos.

Cynthia não tinha consciência de que estava com tantas saudades do seu menino querido. Foi se dando conta aos poucos, enquanto se soltavam um com o outro, como que numa brincadeira tácita de redescobrimento, de reconhecimento mútuo, como uma leoa que lambe e cheira seu filhote a fim de marcá-lo para não perdê-lo. Cynthia e Marcelinho estavam marcados, tatuados, um na alma do outro, desde sempre e para sempre. Seria apenas questão de tempo.

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Cynthia 12

Foi então que numa manhã de Domingo, sob o eclipse parcial da lua, que Cynthia, sentada na varanda e pensando no futuro, sentiu muito medo!



Pensou em como seria após a morte de sua mãe; apesar de terem uma relação delicada e difícil, eram amigas e se amavam Depois da morte de seu pai e grande amigo, Cynthia havia sido apresentada ao sentimento de se sentir realmente só. Sem sua mãe, tinha a impressão de que esse sentimento seria ainda pior, pois mãe é mãe! Por mais estranha que a relação delas fosse, eram íntimas e Cynthia sabia que sua mãe era a única pessoa com quem podia falar certos assuntos, mesmo que não fosse compreendida, na maioria das vezes.


Pensou também na relação com seu irmão, cada vez mais distante. Nunca foram daquele tipo de irmãos que andam juntos para baixo e para cima, mas a distância que havia se instalado entre eles nos últimos anos a incomodava demais! A entristecia e deixava-a melancólica.


Todos esses pensamentos foram enchendo sua alma de medo. Medo do vazio do futuro. O que seria dela nos próximos natais e anos novos? E nos aniversários e Páscoas?


Extremamente incomodada, foi obrigada a ceder a um sentimento que, havia tempo, vinha tomando proporções cada vez maiores dentro dela. Nesse dia ela não conseguiu se esquivar e teve de admitir: a maternidade a estava incomodando, e muito!


Abriu uma cerveja e começou a se lembrar de sua experiência maternal com seu enteado, a quem chamava de filhote e por quem chegara a ser chamada de mãe.


Sabia que aquele assunto ficaria em pauta, aguardando o devido tempo para ser metabolizado. Muitas incertezas, dúvidas e pensamentos conflitantes estavam enchendo sua cabeça e fazendo-a ter a sensação de que havia chegado a uma encruzilhada; precisava parar e descobrir qual caminho seguir. Mas tinha uma certeza: já estava grávida!







                                                                           





terça-feira, 6 de julho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cynthia 10

Cynthia 10



Os dias de Outono seguiam com um frio excepcional para aquela época do ano, antecipando uma aura de introspecção e aconchego, com direito a noites à beira da lareira e taças de vinho para esquentar a alma.
Cynthia passava os dias tranquilamente. Acordava cedo e bem disposta, fazia seu café e ia para a varanda, respirar a brisa fresca daquelas frias manhãs ensolaradas, ainda surpresa com a paz de espírito e a leveza interior que sentia. As coisas simples e singelas haviam tomado uma importância enorme em sua vida e sentia imensa falta de cada uma delas. Se chovia ou estava frio demais para ficar na varanda pela manhã ou em seus artesanatos, se não tinha tempo para sua leitura matinal sagrada, regada a boas xícaras de café, ela se ressentia. Estava gostando de acordar, despertar, se preparando para o dia que teria pela frente. A calma agora era uma constante e bem quista companheira.

Numa semana chuvosa e gelada, daquelas que desencorajam a simples idéia de abrir a janela, Cynthia arrumou os CDs que estavam há anos jogados num canto, misturados. Separou aqueles que não queria mais, as capas quebradas foram substituídas e as antigas foram para o lixo. Divertiu-se ouvindo as músicas da sua adolescência, relembrando paixões dramáticas e lágrimas de amor não correspondido, ao som de trilhas sonoras soturnas e deprimentes. Deixou-se levar até os dias de verão nas férias, com dias inteiros na praia, entre amigas, paqueras e asas delta, com direito ao por do sol debaixo da pedra da Gávea. Bons tempos aqueles, pensou.

Guardadas as proporções, era daquele jeito que Cynthia vinha se sentindo. Com o frescor da juventude que tudo quer descobrir e viver, destemida e otimista, cheia de planos e sonhos. Sim, ela havia voltado a sonhar, a ter esperança!

Aos poucos Cynthia se dava conta de como estava desacostumada a ser feliz. O fato de se sentir ela mesma novamente era motivo de contentamento e a cada dia seu passado ficava mais distante, na mesma medida em que ela ia redescobrindo a alegria de viver. Cuidar de si agora era um prazer. Aproveitava suas manhãs e fazia exercícios todos os dias, o que lhe dava enorme disposição para as tarefas e afazeres, dos mais simples aos mais complexos. Realizava suas coisas com prazer. Estava mais paciente e tolerante com os outros. Dirigia com calma e prudência, fazendo os percursos mais agradáveis, aproveitando para desfrutar das belas paisagens de sua cidade. Sentava-se horas a fio ao computador, escrevendo sem parar sobre coisas diversas, dando vazão a sentimentos e idéias, sem se preocupar se farião sentido ou não. Estava começando a pensar em escrever seu próximo livro. Um projeto. Enquanto essa gestação se iniciava, Cynthia aproveitava para desenferrujar os dedos e as idéias, escrevendo pequenos contos e textos pessoais em seu blog.Estava esquentando os motores. Em breve alçaria vôo.

Estava extasiada com seu bem estar. Às vezes, sentava na varanda e ficava observando a natureza, simplesmente. O movimento das árvores, a direção do vento, as vozes das crianças em suas brincadeiras, os diversos piados e cantos dos pássaros. Parecia que era a primeira vez que ela via esse mundo. E era, de certa forma. Os anos que havia passado ao lado de Limali tinham sido duros e cruéis, transformando Cynthia numa mulher triste e cansada. E o pior é que ela não havia se dado conta do quanto. Ali sentada, sentindo o calor do sol aquecendo sua alma ela pode mensurar a quantos anos não fazia aquilo: simplesmente sentar na varanda tomando uma xícara de café quente e fresco, apreciando a natureza e observando o vai e vem dos beija-flores. Sua antiga tristeza a entristeceu. Suas memórias eram tão densas e desagradáveis que gostaria de despachá-las para algum sistema solar distante, mas isso não seria possível. Ao invés disso, resolveu respirar fundo, sentiu o frescor da manhã e fechou os olhos, como que para melhor registrar o momento, tatuando em sua memória aquela sensação de pureza. Estar ali bem, com saúde, feliz e em paz era o que importava. Seu estado de espírito era o prêmio pelas agruras que passara, sabia disso. Se todos os obstáculos que passou para chegar até ali foram testes, ela os havia vencido e transformado em pontes para o momento presente. Ali, de olhos cerrados, Cynthia rezou, grata por tudo que havia vivido e que a havia levado a ser a mulher que era. Valeu à pena!

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“Os mais puros diamantes nascem sob enorme pressão, no escuro ventre da Terra.”. K.

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010